Médico, escritor, republicano e maçom, o Dr. Antônio Muniz Ferreira destacou-se na vida pública, política, sanitária e maçônica do interior paulista, especialmente nas cidades de São Simão e Mococa.
Antônio Muniz Ferreira nasceu no distrito de Jaguaribe, em Salvador, Bahia, filho do Tenente-Coronel Antônio Muniz Ferreira e de Maria Vieira Silva Muniz. Era neto do Professor Francisco Moniz Barreto d’Aragão, apontado como participante da Conjuração Baiana, também denominada Revolta dos Alfaiates. Contraiu matrimônio com Avelina Oclédia de Aquino Muniz, com quem teve os filhos Almerinda Oclédia Muniz Ferreira, Djanira Muniz Ferreira, Perolina Muniz Ferreira, Maria Felizila Muniz Ferreira e Dr. Antônio Muniz Ferreira Filho.
Em 1884, ainda durante sua formação médica, inscreveu-se para o atendimento em clínicas médicas e, no mesmo ano, graduou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia. Após sua formação, transferiu-se para o interior de São Paulo, passando a atuar nas regiões de São Simão e Casa Branca. Dedicou-se à medicina e à saúde pública, atuando no combate aos focos de doenças que atingiam a população da região.
Em 1885, fixou residência na Vila de Mococa, onde passou a exercer a medicina e rapidamente se integrou à vida social e política local. Sua atuação ultrapassou os limites da profissão médica, envolvendo-se intensamente com o movimento republicano e com os ideais de transformação política que ganhavam força no interior paulista.
Em 1886, assumiu funções relacionadas à medicina e à higiene sanitária em São Simão e região, passando a atuar no combate às epidemias e enfermidades que atingiam a população. No mesmo ano, ingressou na Maçonaria, sendo iniciado na Augusta e Respeitável Loja Simbólica Amor e Caridade nº 313, de Ribeirão Preto, então vinculada ao Grande Oriente do Passeio. Acredita-se que sua aproximação com a Loja tenha sido também influenciada por seus primos, Capitão Christiano Pereira Barreto, conhecido como Capitão Zeca Barreto, e Rodrigo Pereira Barreto, fundador do distrito de Itaquera.
Em 1887, Antônio Muniz Ferreira participou da organização do movimento republicano em Mococa, tornando-se uma de suas principais lideranças. Participou da fundação e instalação do Partido Republicano Paulista (PRP) na cidade, contando com o apoio de outros republicanos e de irmãos da Maçonaria, entre eles membros ligados à Loja Amor e Caridade. A organização republicana provocou importantes transformações na vida política e social de Mococa e região (Gazeta Nacional, Ano 1887, Edição A00017).
Em 1888, assumiu o cargo de Delegado de Higiene Sanitária de Mococa, função na qual passou a atuar diretamente na fiscalização e defesa da saúde pública. No mesmo ano, em 15 de agosto, foi instalado o Clube Republicano de Mococa, tendo como primeiro diretório José de Souza Dias, Humberto de Queiroz e Antônio Muniz Ferreira. A organização tornou-se importante núcleo de divulgação dos ideais republicanos na cidade.
Em 1889, sob a liderança de Antônio Muniz Ferreira e do maçom Ananias José Ferreira Barbosa, com a participação de outros maçons e republicanos, ocorreu na região de São José do Rio Pardo um movimento de antecipação da República envolvendo varios lideres maçons da vila e região, durante o período de atuação política de Francisco Glicério. O episódio teria levado à denominação de Cidade Livre do Rio Pardo, posteriormente incorporada à memória e à simbologia local. Em decorrência dos conflitos políticos daquele período, o Irmão Ananias José Ferreira Barbosa sofreu grandes prejuízos, tendo seu hotel sido depredado.
Com a implantação do regime republicano, Antônio Muniz Ferreira passou a exercer funções de maior destaque na administração pública de Mococa. Entre 1890 e 1891, foi Intendente Municipal de Mococa, participando da administração da cidade durante os primeiros anos da República.
Em 1895, Antônio Muniz Ferreira participou da fundação da Loja Maçônica Honra e Caridade, em Mococa, dando continuidade à sua atuação na Maçonaria e aos ideais que também havia vivenciado na Loja Amor e Caridade nº 313, de Ribeirão Preto. Sua atuação maçônica esteve relacionada à expansão das Lojas e dos graus filosóficos na região, bem como à defesa dos ideais de progresso, educação e transformação social.
Ainda em 1895, seu nome aparece relacionado à utilização da Emulsão de Scott, à base de óleo de fígado de bacalhau, empregada naquele período no tratamento de enfermidades como a tuberculose, demonstrando sua preocupação permanente com a saúde pública e com os recursos terapêuticos disponíveis à medicina de seu tempo (Gazeta de Notícias, 1895).
Em 1896, Antônio Muniz Ferreira retornou à administração municipal de Mococa, sendo eleito novamente Intendente Municipal, cargo que exerceu até 1899. Sua atuação política consolidou sua posição como uma das principais lideranças republicanas da cidade.
Também em 1896, atestou o uso da Emulsão de Scott (óleo de fígado de bacalhau) no tratamento de enfermidades, em período no qual a tuberculose se alastrava pelo Brasil (O Paiz, Edição nº 04386, 1896).
Em 1897, alcançou o Grau 33 da Maçonaria, conforme registro publicado no Boletim do Grande Oriente do Brasil – Jornal Official da Maçonaria Brasileira, publicação oficial da Maçonaria Brasileira (Boletim do Grande Oriente do Brasil, Ano 1897, Edições nº 11 e 12).
No mesmo período, recebeu importante reconhecimento por sua atuação maçônica. O Grande Oriente do Brasil concedeu-lhe o título de Maçom Emérito, em reconhecimento aos serviços prestados à Ordem e à Pátria (Boletim do Grande Oriente do Brasil, Ano 1898, Edição nº 06).
Em 1898, Antônio Muniz Ferreira exercia o cargo de Venerável Mestre da Loja Capitular Honra e Caridade, de Mococa, encontrando-se registrado no Grau 33 (Boletim do Grande Oriente do Brasil, Ano 1898, Edição nº 01). Sua atuação na Maçonaria mocoquense representava a continuidade de um projeto de expansão maçônica e de participação na vida social e política local.
Em 30 de abril de 1898, foi inaugurado o novo templo da Loja Capitular Honra e Caridade, em Mococa, acontecimento divulgado pela imprensa local e inserido no processo de consolidação da Maçonaria na cidade (A Mococa, 19 de abril de 1898).
Ainda em 1898, o Grande Oriente do Brasil registrou Antônio Muniz Ferreira entre os membros de destaque da Ordem e confirmou seu reconhecimento pelos serviços prestados à Maçonaria e à Pátria (Boletim do Grande Oriente do Brasil, Ano 1898, Edição nº 06).
Em 1907, seu nome aparece relacionado à Sociedade de Cirurgia de São Paulo, demonstrando a continuidade de sua participação no meio médico paulista (Correio Paulistano, Ano 1907, Edição nº 15.801).
Em 1910, construiu seu palacete na Rua Quintino Bocaiúva, nº 368, em Mococa. O imóvel, preservado até os dias atuais, constitui importante testemunho da história e da arquitetura da cidade, integrando seu patrimônio histórico.
Ao longo de sua trajetória, o Dr. Antônio Muniz Ferreira conciliou a medicina, a saúde pública, a administração municipal, o republicanismo e a Maçonaria. Sua história esteve particularmente ligada à Loja Amor e Caridade nº 313, onde foi iniciado, e posteriormente à Maçonaria de Mococa, onde participou da fundação e do desenvolvimento da Loja Honra e Caridade.
Sua atuação representa também um período da história paulista em que a Maçonaria, o movimento republicano e os projetos de desenvolvimento social e educacional frequentemente se encontravam no interior do Brasil. Seguindo uma tradição associada também ao Professor Bernardino de Almeida Gouvêa Prata, Antônio Muniz Ferreira dedicou parte significativa de sua vida à defesa dos ideais de progresso, liberdade, educação e desenvolvimento da sociedade.
O Dr. Antônio Muniz Ferreira faleceu em 02 de março de 1918, em Mococa, vítima da gripe espanhola. Seu falecimento encerrou uma trajetória marcada pela dedicação à medicina, à saúde pública, à vida política, ao republicanismo e à Maçonaria. Sua memória permanece associada à história de Mococa e da região, tendo seu nome sido atribuído a diversos logradouros públicos como forma de homenagem à sua contribuição para o desenvolvimento da cidade.