Voltar para o Blog 07 de September de 2026

JOSÉ CRISTIANO PEREIRA BARRETO

CAPITÃO JOSÉ CRISTIANO PEREIRA BARRETTO

 

 

Capitão José Christiano Pereira Barreto, conhecido como Capitão Zeca Barretto, foi maçom, republicano e progressista. Exerceu a patente de Capitão da Guarda Nacional do Estado-Maior do Comando Superior de Ribeirão Preto (159º Batalhão de Infantaria, 4ª Companhia).

 

Nasceu na cidade de Resende, no Estado do Rio de Janeiro, em 21 de março de 1851. Era filho do Comendador José Pereira Barretto e de Maria Carolina Bernardes.

 

Em 1879, imigrou para o então denominado Novo Oeste Paulista, acompanhado de seu tio Francisco Pereira Barretto e de sua avó Francisca de Salles Pereira Barretto, utilizando a estrada de ferro em direção à capital paulista. Logo depois, conforme relata o Prof. Gomes em seu livro Cravinhos, chegaram pela Estrada de Ferro Inglesa e Paulista a Pirassununga, ponto extremo da última estrada. Daquela localidade, prosseguiu a viagem a cavalo, seguindo para Sertãozinho, onde se encontrava seu pai, proprietário de uma fazenda que havia permutado com seu irmão Augusto Barretto por uma parte da Fazenda Jandaia, cedida pelo irmão, Dr. Luiz Pereira Barretto. A outra porção das terras da mesma propriedade pertencia ao Dr. Cândido Pereira Barretto.

 

Deixando Sertãozinho em consequência de uma grande geada e perdidas as esperanças de ali encontrar a recompensa pelo esforço tão prodigamente despendido, passou a residir na Fazenda Restinga, na casa de seu primo Barretto Ramos, em Cravinhos.

 

Posteriormente, adquiriu 40 alqueires de terras de seu tio Francisco Barretto, área onde se encontram atualmente as terras da Fazenda Cristianópolis. Iniciou seus trabalhos com a abertura de uma picada, até descobrir as cabeceiras do Ribeirão Preto. Ali realizou uma grande roçada, armou sua barraca e, ainda naquele ano, plantou mais de 5.000 pés de café. Nascia, assim, a chamada Fazenda Pioneira, dedicada essencialmente à cafeicultura.

 

Em 1886, foi o primeiro cidadão nomeado pelo Governo do Estado para o cargo de Inspetor de Quarteirão, por ocasião da criação da força policial da Vila de Cravinhos. Por sua iniciativa e solicitação, a vila foi elevada à condição de Distrito de Paz pela Lei nº 125, de 27 de abril de 1893, e posteriormente elevada à categoria de município pela Lei de 7 de julho de 1897.

 

O Município de Cravinhos perpetuou seu nome em uma de suas principais vias públicas, a Rua Cristiano Barretto, em reconhecimento aos relevantes serviços prestados à ordem e à pátria. Capitão Zeca Barretto tornou-se, assim, uma das figuras de destaque na formação e no desenvolvimento da região.

 

Além das propriedades mencionadas, Capitão Zeca estabeleceu-se como grande fazendeiro de café nos municípios de Franca, Cravinhos, Bonfim Paulista, Ribeirão Preto e São Simão, conforme registros encontrados em noticiários e publicações da época, entre eles o Almanack Laemmert, o Almanack Industrial e Comercial e o Correio Paulistano, em edições publicadas entre 1887 e 1925, além de outros periódicos.

 

Em 1901, Capitão Zeca foi nomeado tutor dos menores Urbano, Domingas, Valeriano e Simeão, até que atingissem a maioridade. Eram filhos do saudoso Coronel Francisco Rodrigues Bonfim, seu irmão maçom, amigo e companheiro, por quem nutria grande estima.

 

No âmbito maçônico, foi membro da Loja Lealdade e Brio. Posteriormente, transferindo-se para Ribeirão Preto, filiou-se ao Quadro de Obreiros da Loja Maçônica Amor e Caridade, onde reencontrou conterrâneos e amigos, entre eles o Coronel Rodrigues Bonfim, Matheus Gomes Do Val e Dr. Gusmão.

 

Sua trajetória reúne a atuação na vida pública, a expansão da cafeicultura e a participação na formação política e social do interior paulista, tornando Capitão José Cristiano Pereira Barretto uma personalidade de relevância na história de Cravinhos, Ribeirão Preto e da região do Novo Oeste Paulista.

 

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