BERNARDINO DE ALMEIDA GOUVÊA PRATA

PROFESSOR BERNARDINO DE ALMEIDA GOUVÊA PRATA

(Professor Gouvêa Prata)




Professor de letras, línguas e advogado, maçom republicano, progressista e entusiasta. Nasceu em São Sebastião do Jaguari (atual Camanducaia), MG, filho do Dr. Antônio de Almeida Gouvêa Prata (seu pai foi advogado, delegado, promotor público, escrivão, secretário, juiz de paz e de órfão, vereador e comerciante na cidade de São Sebastião do Jaguari. Seu irmão Rodolfo de Almeida Gouveia Prata, foi delegado, subdelegado, secretário e vereador na mesma cidade.) e de D. Joaquina Bernardina de Almeida. Cursou letras, línguas e direito na Faculdade do Império do Brasil da Província de São Paulo. O jovem professor contraiu núpcias com D. Euphrazia Eugênia da Costa, em 02 de abril de 1864, na Província de São Paulo, na Paroquia de Nossa Senhora da Conceição, distrito de Santa Efigênia, tendo com ela os seguintes filhos: José de Almeida Prata; Brazilia de Almeida Prata; Maria Joaquina de Almeida e Silva (esposa do Dr. Symphronio Olympio da Silva); Bem-vinda de Almeida Cesar (casada com Capitão João Bráulio Cesar); Joaquim de Almeida Prata; Lydio de Almeida Prata; Oscar Almeida Prata; Florinda Almeida Gouvêa Prata; Ermelinda Almeida Prata. Já atuando como professor de letras em Jaguari, foi transferido em 1864 para a cidade de São Paulo, em seguida, para Araraquara. Em 29 de maio de 1867, foi removido para Caconde. Na sessão da Câmara de Caconde, em 5 de outubro de 1867, o Professor Bernardino de Almeida Gouvêa Prata apresentou seu título de nomeação e remuneração de professor de ambos os sexos. Também apresentou seu título sua esposa, D. Euphrazia Eugênia de Almeida, professora do ensino feminino. Em Caconde atuou como professor, perito judicial e advogado (foi o primeiro advogado de Caconde) entre 1867 a 1870. Foi transferido de Caconde para Belém do Descalvado passando a lecionar na escola municipal da fazenda Santa Rita. Em 30 de dezembro de 1871, por sua própria iniciativa, pediu demissão do cargo de professor público de Belém de Descalvado e passou a atuar como advogado e professor de línguas em São Simão e Ribeirão Preto (a instrução pública teve nascimento precoce em Ribeirão Preto, mesmo antes de sua instalação do município pela Lei Provincial nº 40). No mesmo ano passou a atuar como promotor público em São Simão. Em 1873 foi criada uma cadeira de primeiras letras para o sexo masculino na cidade de Ribeirão Preto, sendo nomeado oficialmente para regê-la (foi nessa época que sua moção de Descalvado aconteceu oficialmente para a cidade de Ribeirão Preto) conforme noticiado no Correio Paulistano, Ano 1873\Edição 05050. De acordo com os registros históricos, foram matriculados na época 45 alunos em sua cadeira. Pela mesma Lei ora citada, foi criada uma cadeira de primeiras letras para o sexo feminino, sendo nomeada como professora sua esposa, D. Eugênia; matricularam-se 25 alunas na citada cadeira (Nota: Oficialmente na condição de professor estadual, apresentou seu título a Câmara em 1874, juntamente com sua esposa como professores de letras estadual da cidade nomeados pelo Governo Provincial). Professor Gouvêa Prata já atuava em Ribeirão Preto e região oficialmente como advogado e professor de línguas desde findo de 1871. D. Eugênia com o apoio de D. Edwiges Maria da Silva Gusmão e D. Maria Adelaide Miranda Paixão (D. Adelaide nasceu em 1836, faleceu em 1926, na cidade de Ribeirão Preto.), instalou em Ribeirão Preto a primeira escola de letras para o sexo feminino. Professor Prata e sua família eram membros e fundadores do Partido Liberal Republicano - PLR, presidindo em 1876 a mesa do Colégio de Eleitorado de Ribeirão Preto. No mesmo ano foi nomeado como promotor público interino da Vila em substituição ao Dr. Joaquim Galdino Gomes da Silva, conforme noticiado no jornal Correio Paulistano, Ano 1876\Edição 06051. Em 16 de março de 1877, foi removido juntamente com sua esposa de Ribeirão Preto para a Itapeva da Faxina e de lá para Cajuru, onde atuou como professor, advogado, promotor público, delegado e vereador. Em 1885 assumiu os cargos de vice-presidente da câmara e delegado da cidade de Cajuru ao mesmo tempo. No mesmo ano registrou-se no Conselho de Ordem dos Advogados Provincial de São Paulo para abrir oficialmente seu escritório de advocacia. Em 1887 foi vereador e procurador de causas de Cajuru. No fim do ano de 1887, voltou a atuar na Vila de Caconde como advogado. Em 1888, foi transferido para Vila de Mococa para assumir as cadeiras de letras e a promotoria pública da cidade. Contrariando o desejo dos conservadores e do clero, ele atuou como advogado e promotor público na cidade de Mococa e seus distritos de paz. Em 1890, foi ameaçado por várias vezes por um grupo de 32 pessoas liderado pelo terrível Vigário (O Vigário, membro do partido conservador, dedicou sua vida em Mococa em perseguir Prata e os maçons que ali residiam) pertencente ao Partido Conservador (o grupo juntamente com o Vigário queria expulsar Prata e sua família da cidade e destruir o projeto de instalação da maçonaria na cidade). No mesmo ano, no final de setembro, perseguido e pressionado pelo partido conservador, transferiu sua residência para a cidade de São Paulo. Em Ribeirão Preto, no Dia de Todos os Santos, Gouvêa Prata reuniu um grupo de maçons da cidade e de cidades vizinhas, dentre eles: Capitão Francisco Barbosa Lima (membro da Loja Amor à Virtude do oriente de Franca), Dr. Amâncio da Gomes Ramalho, Coronel Antônio Barbosa Lima; Capitão Antônio Luiz Salgueiro; Dr. Antônio Caetano D’Oliveira, Dr. Augusto Ribeiro de Loyolla, Dr. Antônio Alves Pereira de Campos, Dr. Antônio Bernardino Velloso de Almeida, Dr. Antônio Custódio Braga, Dr. Antônio da Fonseca Ferreira Campanha, Coronel Francisco Ferreira de Freitas, Dr. Henrique Carlos da Costa Marques, Dr. Hyppólito de Camargo, Coronel Ignácio Barbosa Lima, Capitão João Garcia de Figueiredo, Tenente-Coronel João Vieira de Mello e Silva, Dr. Jacynto José de Souza, Dr. Joaquim Estanislau da Silva Gusmão, Tenente-Coronel Joaquim Bueno de Alvarenga Rangel, Coronel Joaquim Antônio de Paula Machado, Dr. Joaquim Galdino Gomes da Silva, Capitão Joaquim Francisco da Silva Onça, Coronel João Franco de Moraes Octávio, Dr. Moysés Fernandes do Nascimento, Dr. Pompêu Gonçalves de Moraes e Tenente-Coronel Zeferino José de Souza Nogueira; idealizou e fundou a Loja Maçônica Amor e Caridade e seu Capítulo, em 01 de novembro de 1872, no Novo Oeste Paulista, Terra-Roxa, desafiando assim, seu arco inimigo Padre José Philidory “O Terrível”. Gouvêa Prata foi Presidente da Loja Amor e Caridade e seu Capítulo de 1872-1874. Também em Mococa, idealizou a fundação da Loja Maçônica Caridade Mocoquense contra a vontade da Santa Igreja e de vários cidadãos, infelizmente, foi transferido para a capital de São Paulo antes do funcionamento da Loja. Professor Gouvêa Prata era considerado o bandeirante da educação brasileira, onde passava existia cultura, educação, justiça e maçonaria liberal republicana. No período de 1889-1892, foi membro efetivo do Ilustre Conselho do Grande Oriente do Brasil e de seu Supremo Conselho. Com a saúde abalada e em dificuldades financeiras, sofreu um infarto fulminante, vindo a falecer em sua residência na cidade de São Paulo, no distrito da Consolação em 1892.