Capitão da Guarda Nacional, maçom, militar e participante do movimento politico na região de Batatais e Ribeirão Preto, João Garcia de Figueiredo ocupa lugar de destaque na história política, social e maçônica do interior paulista no século XIX.
João Garcia de Figueiredo nasceu em 17 de junho de 1806, na Fazenda Paraíso, em São João Nepomuceno, localidade que corresponde ao atual município de Nepomuceno, em Minas Gerais. Era filho do Capitão Diogo Garcia da Cruz e de Inocência Constância de Figueiredo.
Pela linhagem paterna, era neto de Mateus Luís Garcia e Maria Francisca de Jesus. Pela linhagem materna, era neto do Capitão-Mor José Álvares de Figueiredo, apontado como fundador de Boa Esperança, e de Maria Vilela do Espírito Santo. Esta, por sua vez, era filha do Capitão Domingos Vilela e de Maria do Espírito Santo, descendente de Diogo Garcia e Júlia Maria da Caridade.
João Garcia de Figueiredo pertencia, portanto, a uma família de expressiva presença na formação histórica e política do sul de Minas e do interior paulista. Entre seus irmãos estavam o Major Antônio Garcia de Figueiredo, relacionado à fundação de Altinópolis, e o Barão de Monte Santos.
João Garcia de Figueiredo contraiu matrimônio com Anna Francisca de Jesus, com quem teve sete filhos:
Sua trajetória, contudo, ultrapassaria os limites da vida familiar. Ao longo do século XIX, João Garcia construiu uma carreira marcada pela atuação militar, política, administrativa e maçônica.
Reconhecido como uma liderança regional, João Garcia de Figueiredo ocupou diferentes funções públicas em Batatais e Mato Grosso do Batatais, participando diretamente da vida política e administrativa daquela região.
Em 1872, foi nomeado Capitão Ajudante de Ordens para o termo da Franca do Imperador e seus distritos de paz.
Quatro anos depois, em 1876, recebeu a patente de Capitão da Primeira Infantaria da Brigada Nacional, para o termo de Batatais.
Sua atuação pública também incluiu os cargos de vereador, delegado, subdelegado, juiz de paz e juiz de órfãos, funções que revelam sua participação ativa na organização administrativa e judiciária do interior paulista durante o Império.
Além da carreira pública, João Garcia de Figueiredo esteve ligado aos Partidos Conservador, aos depois ligou-se ao partido republicano, aproximando-se das ideias republicanas que ganhavam espaço no interior do Brasil nas últimas décadas do regime monárquico.
É, entretanto, no campo da Maçonaria que sua trajetória assume especial importância para a história de Ribeirão Preto.
Em 1º de novembro de 1872, na então Vila de Ribeirão Preto, João Garcia de Figueiredo participou da fundação da Augusta e Respeitavel Loja Simbólica Amor e Caridade nº 313, juntamente com outros importantes nomes ligados à vida militar e maçônica da região.
Entre os participantes mencionados estão os militares Capitão Francisco Barbosa Lima, Coronel Antônio Barbosa Lima e Capitão Ignácio Barbosa Lima, Cel. Bernardo Alves Pereira, Cel. Antônio Alves Pereira, Cel Francisco de Arantes Marques, além de outros maçons militares que atuavam na região da Terra-Roxa e do Novo Oeste Paulista. O grupo teve ainda a participação e liderança do Professor Bernardino de Almeida Gouvêa Prata.
A fundação da Loja Capitular Amor e Caridade em 1872 insere João Garcia de Figueiredo em um momento particularmente importante da formação social de Ribeirão Preto. A presença de militares, homens públicos e maçons na organização da Loja demonstra como a Maçonaria fazia parte das redes de sociabilidade e participação pública existentes no interior paulista durante o século XIX.
A Amor e Caridade tornou-se, assim, uma referência para compreender a presença e a atuação da Maçonaria na formação histórica de Ribeirão Preto e de sua região.
A trajetória de João Garcia de Figueiredo reúne três dimensões que ajudam a compreender o ambiente político e social do período: a carreira militar, a atuação política e a participação maçônica.
Sua ligação com o Partido Republicano de Batatais e sua atuação na fundação da Loja Capitular Amor e Caridade colocam seu nome entre os personagens que participaram das transformações políticas e sociais ocorridas no interior paulista nas décadas que antecederam a Proclamação da República.
Mais do que um militar ou homem público, João Garcia de Figueiredo pertenceu a uma geração que viveu a transição entre o Brasil Imperial e o Brasil Republicano, período marcado pelo crescimento das ideias republicanas, pela reorganização das elites locais e pela expansão das instituições civis, militares e maçônicas pelo interior do país.
O Capitão João Garcia de Figueiredo faleceu em 5 de março de 1885, em Batatais. Seu falecimento foi noticiado pelo Jornal do Brasil, na edição nº 75 do ano de 1885.
Outro registro publicado no Liberal Mineiro, edição nº 39 de 1885, informa que João Garcia de Figueiredo teria tornado seus ex-escravizados seus herdeiros, um dado particularmente significativo para a compreensão de sua história pessoal e das relações sociais existentes naquele período.
A trajetória do Capitão João Garcia de Figueiredo atravessa diferentes momentos da história do século XIX: a organização militar do interior, a administração de Batatais, a expansão das famílias pioneiras, o surgimento das ideias republicanas e, sobretudo, a formação das primeiras instituições maçônicas da região.
Sua participação na fundação da ARLS Amor e Caridade nº 313, em 1º de novembro de 1872, constitui um dos episódios mais relevantes de sua trajetória e também um importante registro para a história da Maçonaria em Ribeirão Preto.
Ao lado de outros militares, homens públicos e maçons de seu tempo, João Garcia de Figueiredo participou da criação de uma instituição que se insere no processo de formação das redes sociais, políticas e intelectuais que acompanharam o desenvolvimento do Novo Oeste Paulista.
Por isso, resgatar sua trajetória significa também recuperar parte da história da Loja Amor e Caridade e das origens da Maçonaria em Ribeirão Preto.