Os Cavaleiros Noaquitas se reúnem em um Alto Corpo que trabalha nos Graus 19º ao 21º do Rito Adonhiramita. Esta classe dá continuidade à jornada dos Altos Graus, conduzindo o maçom a uma reflexão sobre a justiça, a preservação dos princípios, a reconstrução e a responsabilidade do homem perante a sociedade e a humanidade.
Os ensinamentos dos Cavaleiros Noaquitas estão relacionados à tradição de Noé, figura simbólica associada à preservação da vida, à justiça e à reconstrução após o Dilúvio. A tradição noaquita representa, assim, a necessidade de conservar aquilo que é essencial e, sobre fundamentos sólidos, reconstruir aquilo que foi destruído. O maçom é chamado a compreender que toda verdadeira reconstrução exterior começa pela transformação interior.
O Capítulo de Cavaleiros Noaquitas tem por finalidade desenvolver no maçom o sentimento de justiça, retidão e responsabilidade, fortalecendo os princípios que devem orientar sua conduta. Seus ensinamentos apresentam a figura de Noé como símbolo daquele que preserva os valores essenciais diante das grandes transformações e que, após a tempestade, assume a tarefa de reconstruir.
A tradição noaquita encontra no Dilúvio uma das suas principais alegorias. A destruição representa as grandes provações que podem atingir o homem e a sociedade; a Arca representa a preservação daquilo que não deve perecer; e a reconstrução simboliza o recomeço, a esperança e o estabelecimento de uma nova ordem fundada em princípios.
O Cavaleiro Noaquita é, portanto, chamado simbolicamente a preservar aquilo que é justo, verdadeiro e digno, combatendo as imperfeições que impedem o aperfeiçoamento do homem. A espada, presente na tradição cavaleiresca, representa a disposição de defender a justiça e os princípios, não pela violência, mas pela firmeza de caráter e pela força moral.
A tradição dos Noaquitas também está relacionada à ideia de uma Fraternidade Universal, fundada sobre princípios anteriores às divisões humanas. Nesse sentido, o simbolismo de Noé ultrapassa os limites de uma tradição particular e apresenta uma reflexão sobre a continuidade da humanidade, a preservação da vida e a responsabilidade de cada geração perante as gerações futuras.
A estrutura do Capítulo de Cavaleiros Noaquitas do Rito Adonhiramita é composta por três graus, compreendendo os Graus 19º ao 21º. Os dois primeiros são graus de Comunicação, enquanto o Grau 21º, Cavaleiro Noaquita ou Cavaleiro Prussiano, possui caráter Iniciático.
Essa Classe representa uma continuidade da jornada filosófica iniciada nos graus anteriores. O conhecimento adquirido deve transformar-se progressivamente em responsabilidade, virtude e consciência do dever.
A tradição dos Cavaleiros Noaquitas encontra também importante lugar na história da Maçonaria brasileira. No século XIX, a denominação Grande Capítulo dos Cavaleiros Noaquitas esteve ligada à organização dos Altos Graus do Rito Adonhiramita no Brasil, constituindo uma referência importante para a compreensão de sua estrutura histórica e de sua continuidade.
O Capítulo conduz, assim, o maçom a uma reflexão sobre aquilo que deve ser preservado e aquilo que precisa ser reconstruído. A grande obra não consiste apenas em levantar novas edificações, mas em assegurar que os seus fundamentos sejam suficientemente sólidos para resistir às tempestades do tempo.
Grau 19 – Grande Pontífice ou Sublime Escocês (Comunicação)
Grau 20 – Venerável Mestre das Lojas Regulares ou Mestre Ad Vitam (Comunicação)
Grau 21 – Cavaleiro Noaquita ou Cavaleiro Prussiano (Iniciático)