“Nem melhor nem pior — apenas diferente, com o mesmo objetivo de todos os maçons e da Maçonaria Universal: o aperfeiçoamento de todos os seres humanos.”
Pesquisar a ritualística e a história do Rito Adonhiramita é defrontar-se com uma herança iniciática que remonta à França do século XVIII. Enquanto a Maçonaria Universal compartilha os mesmos princípios éticos, a busca pela verdade e o trabalho na Pedra Bruta, a forma como a Liturgia se expressa em Templo varia sensivelmente entre os diferentes Ritos.
Para compreender o que distingue o Rito Adonhiramita de outros sistemas (como o Rito Escocês Antigo e Aceito (REAA), o Rito Moderno (ou Francês) e o Rito de York), é necessário olhar tanto para a documentação histórica quanto para as particularidades de sua liturgia ativa.
No universo maçônico, os Ritos costumam enfatizar diferentes aspectos da jornada iniciática:
O que torna a Oficina Adonhiramita inconfundível não é uma pretensa superioridade sobre os demais ritos, mas sim a fidelidade a gestos, símbolos e dinâmicas que constroem a egrégora da Loja:
Diferente de sessões onde a iluminação elétrica é acionada por interruptores, no Rito Adonhiramita utiliza-se sempre velas de cera pura de abelhas. A chama representa o fogo como princípio ativo e transformador, invocando o Senhor de Todas as Luzes pelas três colunas da Loja: Sabedoria, Força e Beleza. A lâmpada ilumina, mas não arde — e a liturgia adonhiramita necessita da presença viva do fogo.
O deslocamento no Templo não é simplesmente retangular ou circular dextrogiro. A marcha e o trânsito desenham a figura do símbolo do infinito (∞\infty∞), representando a estrada do tempo, onde todo começo contém em si o fim, e todo fim guarda o germe de um novo começo.
O arranjo em forma de pirâmide protege o Ocidente, o Sul e o Norte, deixando livre o Oriente, de onde emana a Luz Sagrada.
Na Cerimônia de Iniciação, o novo Obreiro recebe um Nome Histórico. Este nome pertence a uma personalidade virtuosa do passado (um Patrono já passado ao Oriente Eterno). Ao deixar a vida profana, o iniciado adota uma nova identidade simbólica que o inspira no exercício diário das virtudes.
O vocativo no Adonhiramita reserva o tratamento carinhoso de Amado Irmão (Am.ʹ. Ir.ʹ.). As luvas brancas, obrigatórias, igualam a mão do trabalhador braçal à do intelectual: Pela direita se dá, pela esquerda se recebe — e ambas agem com pureza.
Entender as diferenças entre os ritos é libertar-se de visões simplistas ou mitificações desprovidas de base documental. O Rito Adonhiramita mantém viva uma das tradições mais ricas da Maçonaria Universal. Sua liturgia, pautada no respeito às tradições do século XVIII, continua a oferecer aos maçons um ambiente de introspecção, disciplina ritual e profundo aperfeiçoamento moral.
Por: Pe. Manoel Gomes de Figueiredo