Major da Guarda Nacional, maçom e republicano, foi uma das figuras fundamentais na formação do núcleo que deu origem à cidade de Altinópolis, no Estado de São Paulo.
Nasceu em 1812, na cidade de Nepomuceno, Minas Gerais. Era filho do Capitão Diogo Garcia da Cruz e de Inocência Constância de Figueiredo. Pelo lado paterno, era neto de Mateus Luís Garcia e de Maria Francisca de Jesus. Pelo lado materno, era neto do Capitão-Mor José Álvares de Figueiredo, apontado como fundador de Boa Esperança, e de Maria Vilela do Espírito Santo.
Maria Vilela do Espírito Santo era filha do Capitão Domingos Vilela e de Maria do Espírito Santo e, por essa linhagem, neta de Diogo Garcia e de Júlia Maria da Caridade.
Major Garcia foi proprietário da Fazenda Fortaleza, extensa propriedade rural onde desempenhou papel decisivo na formação do povoado que posteriormente se transformaria em Altinópolis.
Nas terras da Fazenda Fortaleza foi erguida a Capela de Nossa Senhora da Piedade, que se tornou o núcleo religioso e social em torno do qual começou a se desenvolver o povoado.
O ano de 1865 marca um momento importante dessa história. A capela foi então erguida formalmente, constituindo o primeiro núcleo religioso da futura comunidade. No mesmo período, a região foi visitada pelo então tenente Alfredo d'Escragnolle Taunay, futuro Visconde de Taunay, durante sua passagem pela região em direção à Província de Mato Grosso.
No ano seguinte, ocorreu um dos acontecimentos mais importantes para a formação de Altinópolis.
Em 1866, o Major Antônio García de Figueiredo realizou a doação de 42 alqueires de terras da Fazenda Fortaleza, destinados à constituição do patrimônio da Capela de Nossa Senhora da Piedade.
A doação estabeleceu as terras pertencentes ao patrimônio da igreja e possibilitou o início do primeiro arruamento do povoado, organizando os terrenos e as ruas que dariam forma ao núcleo urbano.
Foi assim que, ao redor da capela e do patrimônio por ela constituído, consolidou-se o Arraial de Nossa Senhora da Piedade, origem do futuro município de Altinópolis.
Com o sistema de aforamento dos terrenos pertencentes ao patrimônio da capela, a Igreja passou a receber as respectivas contribuições. Esse sistema permaneceu em vigor por muitas décadas, chegando, segundo os registros históricos, até 1938.
O pequeno núcleo formado ao redor da Capela de Nossa Senhora da Piedade cresceu progressivamente. Em 8 de março de 1875, pela Lei Provincial nº 5, o povoado foi elevado à condição de freguesia, passando a denominar-se Nossa Senhora da Piedade de Mato Grosso de Batatais.
A participação de Major Garcia na formação desse patrimônio e na organização inicial do povoado fez com que seu nome permanecesse associado à origem histórica de Altinópolis, sendo tradicionalmente reconhecido como um de seus fundadores.
Major Antônio García de Figueiredo contraiu matrimônio com sua sobrinha, Maria Teresa de Figueiredo. O casal teve os seguintes filhos:
Major Garcia era irmão do Barão de Monte Santo e do Capitão João Garcia de Figueiredo, este último fundador da Loja Maçonica Amor e Caridade nº 313.
Major Antônio García de Figueiredo faleceu em 8 de agosto de 1884, em sua residência, em Altinópolis.
Sua trajetória permaneceu ligada à história da formação do município, sobretudo pela propriedade da Fazenda Fortaleza, pela constituição do patrimônio da Capela de Nossa Senhora da Piedade e pela doação das terras que possibilitaram o primeiro arruamento do povoado.
Major Antônio García de Figueiredo, conhecido como Major Garcia, foi membro da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Amor e Caridade nº 313 e de seu Capítulo Rosa-Cruz. Sua atuação maçônica está relacionada à história da Maçonaria no século XIX e à formação das redes familiares e sociais que participaram do desenvolvimento da região de Batatais e, posteriormente, de Altinópolis.
Ainda não foi possível determinar em qual Loja Maçônica Major Garcia e seu irmão, Capitão João Garcia de Figueiredo, foram iniciados. Os registros conhecidos, entretanto, permitem relacioná-los à Maçonaria vinculada ao Grande Oriente do Brasil, no contexto das organizações maçônicas que atuavam no período.
Esse período coincide com a reorganização da Maçonaria brasileira ocorrida na segunda metade do século XIX. Joaquim Saldanha Marinho fundou, em 16 de dezembro de 1863, o Grande Oriente do Vale dos Beneditinos, organização que permaneceu em atividade até 1874. Posteriormente, entre 1872 e 1883, esteve em atividade o Grande Oriente Unido do Brasil, também ligado à trajetória de Saldanha Marinho.
A presença do Major Garcia na Augusta e Respeitável Loja Maçônica Amor e Caridade nº 313 constitui um importante elemento para compreender sua participação na Maçonaria de seu tempo. Seu irmão, Capitão João Garcia de Figueiredo, também teve atuação maçônica e é apontado como fundador da ARLS Amor e Caridade.
A influência da família Garcia de Figueiredo permaneceu na Maçonaria regional mesmo após o falecimento do Major Garcia. Parentes e amigos ligados ao Major participaram, posteriormente, da fundação de uma nova Loja Maçônica em Altinópolis.
Em 1º de maio de 1896, foi fundada a Augusta e Respeitável Loja Maçônica Dr. Carlos Reis nº 509, filiada ao Grande Oriente do Brasil e trabalhando no Rito Escocês Antigo e Aceito.
A tradição histórica maçônica registra que a Loja Dr. Carlos Reis nº 509 foi fundada por parentes e amigos do Major Garcia, mantendo viva a memória de sua participação na formação da comunidade e na história maçônica da região.