Voltar para o Blog 02 de October de 2026

MAJOR ANTÔNIO GARCÍA DE FIGUEIREDO

MAJOR ANTÔNIO GARCÍA DE FIGUEIREDO

MAJOR ANTÔNIO GARCÍA DE FIGUEIREDO

 

 

Major da Guarda Nacional, maçom e republicano, foi uma das figuras fundamentais na formação do núcleo que deu origem à cidade de Altinópolis, no Estado de São Paulo.

 

Nasceu em 1812, na cidade de Nepomuceno, Minas Gerais. Era filho do Capitão Diogo Garcia da Cruz e de Inocência Constância de Figueiredo. Pelo lado paterno, era neto de Mateus Luís Garcia e de Maria Francisca de Jesus. Pelo lado materno, era neto do Capitão-Mor José Álvares de Figueiredo, apontado como fundador de Boa Esperança, e de Maria Vilela do Espírito Santo.

 

Maria Vilela do Espírito Santo era filha do Capitão Domingos Vilela e de Maria do Espírito Santo e, por essa linhagem, neta de Diogo Garcia e de Júlia Maria da Caridade.

 

Major Garcia foi proprietário da Fazenda Fortaleza, extensa propriedade rural onde desempenhou papel decisivo na formação do povoado que posteriormente se transformaria em Altinópolis.

 

A Capela de Nossa Senhora da Piedade

 

 

Nas terras da Fazenda Fortaleza foi erguida a Capela de Nossa Senhora da Piedade, que se tornou o núcleo religioso e social em torno do qual começou a se desenvolver o povoado.

 

O ano de 1865 marca um momento importante dessa história. A capela foi então erguida formalmente, constituindo o primeiro núcleo religioso da futura comunidade. No mesmo período, a região foi visitada pelo então tenente Alfredo d'Escragnolle Taunay, futuro Visconde de Taunay, durante sua passagem pela região em direção à Província de Mato Grosso.

 

No ano seguinte, ocorreu um dos acontecimentos mais importantes para a formação de Altinópolis.

 

Em 1866, o Major Antônio García de Figueiredo realizou a doação de 42 alqueires de terras da Fazenda Fortaleza, destinados à constituição do patrimônio da Capela de Nossa Senhora da Piedade.

 

A doação estabeleceu as terras pertencentes ao patrimônio da igreja e possibilitou o início do primeiro arruamento do povoado, organizando os terrenos e as ruas que dariam forma ao núcleo urbano.

 

Foi assim que, ao redor da capela e do patrimônio por ela constituído, consolidou-se o Arraial de Nossa Senhora da Piedade, origem do futuro município de Altinópolis.

Com o sistema de aforamento dos terrenos pertencentes ao patrimônio da capela, a Igreja passou a receber as respectivas contribuições. Esse sistema permaneceu em vigor por muitas décadas, chegando, segundo os registros históricos, até 1938.

 

A formação de Altinópolis

 

O pequeno núcleo formado ao redor da Capela de Nossa Senhora da Piedade cresceu progressivamente. Em 8 de março de 1875, pela Lei Provincial nº 5, o povoado foi elevado à condição de freguesia, passando a denominar-se Nossa Senhora da Piedade de Mato Grosso de Batatais.

 

A participação de Major Garcia na formação desse patrimônio e na organização inicial do povoado fez com que seu nome permanecesse associado à origem histórica de Altinópolis, sendo tradicionalmente reconhecido como um de seus fundadores.

 

A Família

 

Major Antônio García de Figueiredo contraiu matrimônio com sua sobrinha, Maria Teresa de Figueiredo. O casal teve os seguintes filhos:

  • Umbelina Cândida de Figueiredo;
  • Mariana Constança de Figueiredo;
  • Maria Cândida de Figueiredo;
  • Ana Garcia de Figueiredo;
  • Maria Carolina de Figueiredo;
  • José Garcia de Figueiredo Sobrinho;
  • Inocência Constância de Figueiredo.

 

Major Garcia era irmão do Barão de Monte Santo e do Capitão João Garcia de Figueiredo, este último fundador da Loja Maçonica Amor e Caridade nº 313.

 

O Falecimento

 

Major Antônio García de Figueiredo faleceu em 8 de agosto de 1884, em sua residência, em Altinópolis.

 

Sua trajetória permaneceu ligada à história da formação do município, sobretudo pela propriedade da Fazenda Fortaleza, pela constituição do patrimônio da Capela de Nossa Senhora da Piedade e pela doação das terras que possibilitaram o primeiro arruamento do povoado.

 

A Maçonaria

 

Major Antônio García de Figueiredo, conhecido como Major Garcia, foi membro da Augusta e Respeitável Loja Maçônica Amor e Caridade nº 313 e de seu Capítulo Rosa-Cruz. Sua atuação maçônica está relacionada à história da Maçonaria no século XIX e à formação das redes familiares e sociais que participaram do desenvolvimento da região de Batatais e, posteriormente, de Altinópolis.

 

Ainda não foi possível determinar em qual Loja Maçônica Major Garcia e seu irmão, Capitão João Garcia de Figueiredo, foram iniciados. Os registros conhecidos, entretanto, permitem relacioná-los à Maçonaria vinculada ao Grande Oriente do Brasil, no contexto das organizações maçônicas que atuavam no período.

 

Esse período coincide com a reorganização da Maçonaria brasileira ocorrida na segunda metade do século XIX. Joaquim Saldanha Marinho fundou, em 16 de dezembro de 1863, o Grande Oriente do Vale dos Beneditinos, organização que permaneceu em atividade até 1874. Posteriormente, entre 1872 e 1883, esteve em atividade o Grande Oriente Unido do Brasil, também ligado à trajetória de Saldanha Marinho.

 

A presença do Major Garcia na Augusta e Respeitável Loja Maçônica Amor e Caridade nº 313 constitui um importante elemento para compreender sua participação na Maçonaria de seu tempo. Seu irmão, Capitão João Garcia de Figueiredo, também teve atuação maçônica e é apontado como fundador da ARLS Amor e Caridade.

 

A influência da família Garcia de Figueiredo permaneceu na Maçonaria regional mesmo após o falecimento do Major Garcia. Parentes e amigos ligados ao Major participaram, posteriormente, da fundação de uma nova Loja Maçônica em Altinópolis.

 

Em 1º de maio de 1896, foi fundada a Augusta e Respeitável Loja Maçônica Dr. Carlos Reis nº 509, filiada ao Grande Oriente do Brasil e trabalhando no Rito Escocês Antigo e Aceito.

 

A tradição histórica maçônica registra que a Loja Dr. Carlos Reis nº 509 foi fundada por parentes e amigos do Major Garcia, mantendo viva a memória de sua participação na formação da comunidade e na história maçônica da região.

 

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