GASPAR DA SILVEIRA MARTINS

GASPAR DA SILVEIRA MARTINS

Grão Mestre do Grande Oriente Brasileiro: 1883-1887


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Advogado, professor e político, maçom liberal republicano. Nasceu no Departamento de Serro Largo, Melo, no Uruguai, em 5 de agosto de 1835, na fazenda Asseguá. Filho de Carlos Silveira Morais Ramos e de Maria Joaquina das Dores Martins. Ingressou na Faculdade de Direito do Recife, onde realizou parte do curso (1852-1854), transferindo-se para a Faculdade de Direito de São Paulo, em que bacharelou em 1856. Foi juiz municipal da 2ª Vara da Corte (1859-1864). Iniciou a vida política no Rio Grande do Sul. Liberal e monarquista, participou da criação do Partido Liberal Histórico (PLH), ao lado de Manoel Luís Osório, Felix da Cunha e Davi Canabarro. Foi indicado pelo PLH a concorrer a uma vaga como deputado provincial, tendo sido eleito em 1862 e reeleito em sucessivas legislaturas, tornando-se uma das principais lideranças políticas em sua província (1863, 1864, 1866-1867, 1873-1874, 1875, 1876, 1877-1878, 1879-1880, 1881-1882, 1883-1884, 1885-1886, 1887-1888 e 1889). Em Porto Alegre, fundou o jornal A Reforma (1862), que seria um dos principais veículos propagandistas dos federalistas gaúchos. Foi eleito deputado geral para as legislaturas 1873-1875, 1877 e 1878-1880 e, como podia haver concomitância de exercício de cargos eletivos, foi ainda senador em 1880-1881, 1882-1884, 1885 e 1886-1889. Na Assembleia-Geral envolveu-se em uma contenda com Irineu Evangelista de Sousa, o futuro barão de Mauá, membro do Partido Liberal e deputado geral pelo Rio Grande do Sul, acusando-o de apoio ao gabinete conservador de José Maria da Silva Paranhos (1871-1875), o visconde de Rio Branco, o que acabaria por levá-lo a renunciar ao cargo em 1873. Como deputado teve atuação destacada na defesa da eleição direta, da elegibilidade aos acatólicos, da construção de estradas de ferro e de promulgação de legislação fiscal específica para a província do Rio Grande do Sul, de forma a estimular o comércio e coibir o contrabando na fronteira. Foi indicado para ocupar a Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda (1878-1879), no gabinete liberal de João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu (1878-1880), onde se destacou pela criação de tarifa especial sobre produtos importados pelo Rio Grande do Sul, pela ampliação das estradas de ferro que serviam à província. Em 24 de julho de 1889, assumiu a presidência da província, e foi convidado para ocupar lugar no novo ministério liberal que estava sendo organizado. Foi preso a caminho da Corte, em Desterro, Santa Catarina, e no Rio de Janeiro tomou conhecimento de que fora desterrado do território brasileiro pelo governo provisório de Deodoro da Fonseca, antigo rival político, pelo decreto n. 78-A, de 21 de dezembro de 1889, ao lado de Afonso Celso de Assis Figueiredo, o visconde de Ouro Presto, e o irmão deste, Carlos Afonso de Assis Figueiredo. Retornou do exílio na Europa em janeiro de 1892, quando participou da organização do Partido Federalista (PF), no Congresso de Bagé, que reuniu dissidentes do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR), de inspiração positivista, que defendia o sistema de governo parlamentarista e opunha-se ao presidente do estado do Rio Grande do Sul Júlio Prates de Castilhos. Foi um dos líderes da Revolução Federalista (1893-1895), em que se confrontavam federalistas, os chamados gasparistas ou maragatos, e republicanos, denominados castilhistas ou pica-paus. Permaneceu na região da fronteira entre Brasil, Argentina e Uruguai durante o conflito, de onde liderou ações e articulou apoio político contra as tropas federais. Derrotada a Revolução Federalista, em 1896 organizou um novo congresso do Partido Federalista, em que mantinha as bandeiras de luta pelo parlamentarismo e por um Estado unitário federal, em oposição à Constituição de 1891. Aos poucos se afastou da vida política, fixando residência na estância do Rincão do Pereira, no Departamento de Tacuarembó, no Uruguai. Na Maçonaria assumiu todos os cargos da instituição e em 1882, deixou o GOB do Lavradio e se filiou na Loja Maçônica Aurora Escosseza e no Grande Oriente Brasileiro. Em 1882. foi eleito grão-mestre do Grande Oriente do Passeio tomando posse 1883. Foi membro honorário do Gran Oriente de la Republica Oriental del Uruguay. Faleceu repentinamente em 23 de julho de 1901, num quarto de hotel na cidade de Montevidéu.

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