GRANDE ORIENTE BRASILEIRO

GRANDE ORIENTE BRASILEIRO

OU GRANDE ORIENTE DO PASSEIO


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A MAÇONARIA NO BRASIL


De acordo com diversos autores, a maçonaria surge no fim do século XVIII, infelizmente, sem prova documental, possuindo apenas alguns vestígios acerca da existência de maçons independentes esparsos em Olinda, Salvador, Rio de Janeiro, Campos e Niterói. Naquela época não havia organização maçônica brasileira legalmente instalada, ou seja, potências reguladoras dessas lojas. Algumas eram subordinadas ao Grande Oriente Lusitano e outras ao Grande Oriente da França, além de uma parte independentes e autônomas. Já o historiador Kurt Prober, que sempre escrevia apoiado em sólida documentação, cita em uma de sua bibliografias (“Cadastro Geral das Lojas Maçônicas”) que a primeira atividade maçônica brasileira que merece registro foi em 1724, na “Academia Brasílica do Esquecidos”, onde foi iniciado o Padre Gonçalves Soares de França, infelizmente, difícil de ser comprado com documentos.

Logo no fim do século XVIII e início século XIX, conforme citações em obras de alguns autores, existiam na Capitania Pernambucana numerosas sociedades secretas, tais como: o Areópago de Arruda Câmara; a Academia dos Suassunas; a Academia do Paraíso; a Universidade Secreta de Antônio Carlos; a Escola Secreta de Guimarães Peixoto; a Oficina de Igaraçu; dentre outras. Também citam a existência de uma loja na Bahia denominada “Cavaleiro da Luz”, fundada por volta de 1797, em uma fragata Francesa, cuja a função era promover a Conjuração Baiana (1798), sendo transferida pouco tempo depois para a Barra, como afirma Willian Almeida de Carvalho (sem comprovação a sua existência por falta de documentos). Outros autores afirmam que a maçonaria surgiu ainda no período colonial, sob a influência e inspiração francesa. E dessa inspiração, com caráter exclusivamente político, surge a primeira corporação maçônica organizada, autônoma, independente e soberana, denominado de "Grande Oriente Brasileiro" (1813-1817), instalado nas "Terras de Vera Cruz", cidade de Salvador, tendo como Grão-Mestre Antônio Carlos Ribeiro de Andrada.

Naquela época em meio a revoluções e conjurações, a maçonaria surge no Brasil como o impulso que faltava para a concretização dos sonhos e anseios republicanos nos moldes da Revolução Francesa.

AS PRIMEIRAS CORPORAÇÕES MAÇÔNICAS ORGANIZADAS NO BRASIL

De acordo com o manifesto de José Bonifácio, publicado em 1832 aos maçons de todo o mundo, sita em seus traçados que em 1801 foi instalada a primeira loja simbólica regular brasileira debaixo do título de Respeitável Loja "Reunião", filiada ao Grande Oriente da Ilha de França, tendo adotado o Rito Moderno ou Francês, surgindo aí a maçonaria organizada no Brasil. No entanto, há relatos que em 1800 foi fundada uma loja maçônica com título distintivo de Respeitável Loja "União", na mesma cidade. Em particular, acredito que a Loja Reunião foi sua continuidade, infelizmente, não há como comprovar tal afirmativa. Alguns pesquisadores seguem a mesma linha de raciocínio, acreditando e seguindo a mesma teoria.

Extraído do Astréa Almanak Maçônico, (Edição 2, 1847), publicado em 1847, consta que no dia 05 de julho de 1802, foi fundada na Bahia, a Respeitável Loja "Virtude e Razão", no Rito Moderno, de cujo seio saiu outras duas Oficinas: a Respeitável Loja Virtude e "Razão Restaurada", fundada em 30 de março de 1807 (mudando seu nome em 10 de Agosto de 1808, para Respeitável Loja Humanidade); a Respeitável Loja "União", fundada em 12 de agosto de 1813, completando assim, em 12 de setembro de 1813, três Oficinas. A partir da formação das três lojas, os maçons baianos resolveram fundar a primeira corporação maçônica brasileira organizada, denominada de "Grande Oriente Brasileiro".

Em Pernambuco, autores afirmam que foi instalada em 1816 uma Grande Loja Provincial, acredito que vinculada a Bahia, formada por quatro lojas que preparavam a Revolução Pernambucana para formar a Confederação do Equador. Essas lojas tinham pessoas das mais variadas posições sociais todos unidos em prol da defesa da liberdade e da formação da Pátria Livre. A referida Grande Loja Provincial era composta pelas as seguintes lojas: Respeitável Loja "Regeneração" (1809); Respeitável Loja "Guatimosim" (1812), Respeitável Loja "Patriotismo" (1814); Respeitável Loja "Restauração" (1815). Em Pernambuco existia também as lojas "Pernambuco do Ocidente" (1812) e a "Pernambuco do Oriente" (1812).

A eclosão do movimento se deu em 1817, sendo reprimida violentamente pela corte portuguesa. Neste período a atividade precípua das lojas maçônicas era em torno de um movimento nativista de libertação tanto em Pernambuco como na Bahia. Todavia, os trabalhos da Respeitável Loja "Humanidade", que foram suspensos em 4 de Junho de 1817, volta a funcionar em 19 de março de 1820, devendo-se ao zelo de todos os seus Obreiros que mantinham os arquivos e memorias, além do desejo de voltar a comungar debaixo da Coroa novamente a Arte Real.

A MAÇONARIA NO RIO DE JANEIRO

Inspirada na Respeitável Loja Reunião (1801) começa a surgir outras lojas no Rio de Janeiro, alguns autores afirmam que em 1804 foram fundadas as lojas "Constância" e "Philantropia", sendo fechadas em 1806, por ato do Vice-Rei, Marcos de Noronha e Brito. Também foram fundadas no Rio de Janeiro, as Lojas "Distintiva"(1812), "Beneficência" (1815) e "São João de Bragança" (1816).

Conforme documentos históricos, em 24 de junho de 1815, era fundada a Respeitável Loja "Comércio e Artes", sendo instalada em 15 de novembro do mesmo ano, no Rito Adonhiramita, jurisdicionada ao Grande Oriente Lusitano, tendo como objetivo principal, a emancipação política e social do Brasil. D. João VI, em 30 de março de 1818, através do Alvará “Lesa Majestade”, proibiu o funcionamento de qualquer sociedade secreta em Portugal e em suas colônias. No mesmo ano, no Rio de Janeiro, a Loja cessou suas atividades. Mesmo assim, os maçons continuaram a trabalhar no Clube da Resistência instalado no Rio de Janeiro.

Em 1821, D. João VI, retorna a Portugal e deixa o Príncipe, D. Pedro I, como Regente do Brasil, diminuindo a repressão à maçonaria e das sociedades secretas. A Loja Comércio e Artes retorna suas atividades em 24 de junho de 1821, adotando o nome de "Comercio e Artes na Idade do Ouro", trabalhando, inicialmente, no Rito Adonhiramita. Com a participação efetiva de Gonçalves Ledo e Cônego Januário da Cunha Barbosa. A Loja dinamizou seus trabalhos pela Independência do Brasil.

Fundado por Ledo e pelo Cônego Januário, o periódico quinzenal "Revérbero Constitucional Fluminense", que influiu na formação de uma consciência nacional, teve, portanto, grande participação na independência do País. Na edição de 30 de abril de 1822, um artigo de Gonçalves Ledo dizia da urgente necessidade da independência.

Em 9 de janeiro de 1822, em consequência de trabalhos dos maçons da Loja Comercio e Artes, D. Pedro I, recusou-se a voltar a Portugal. Surgindo aí, “O Dia do Fico” conferido a D. Pedro, o título de DEFENSOR PERPÉTUO DO BRASIL. Precisamente em 17 de junho de 1822, a Loja seguindo o modelo da Bahia, dividiu-se em três “Comércio e Artes na Idade do Ouro”; “União e Tranquilidade; “Esperança de Nictheroy”. Assim se formou o segundo grande oriente denominado de "Grande Oriente Brasileiro, Brasílico ou Brasiliano", tendo sua sede instalado na Rua do Conde, nº 2. O primeiro grão-mestre foi escolhido por aclamação, sendo recaído sobre o monarquista José Bonifácio de Andrada e Silva (membro do quadro da Loja Esperança de Niterói).

Por questões politica foi iniciado na Loja Comércio e Artes na Idade do Ouro, em 2 de agosto de 1822, D. Pedro de Alcântara, Príncipe Regente e Defensor Perpétuo do Brasil. Em 5 de agosto do mesmo ano foi elevado e exaltado. Em 4 de outubro de 1822, após a Proclamação da Independência, foi eleito por aclamação ao cargo de grão-mestre da maçonaria brasileira. Mas, em virtude da rivalidade entre Bonifácio (monarquista conservador) e Ledo (liberal republicano), o Príncipe Regente suspendeu os trabalhos do Grande Oriente, em 21 de outubro de 1822, por uma semana. Após averiguar que tratava-se de ato de vingança, ódio e rivalidade de Bonifácio contra Ledo e seus compatriotas, o Príncipe Regente manda um bilhete a Ledo no dia 25 de outubro de 1822, autorizando a reabertura do Grande Oriente Brasileiro. Entretanto, no dia 11 de novembro de 1822, Bonifácio, já reintegrado no posto de ministro da corte, manda prender Ledo e seus partidários. Avisado pelo Cônego Januário da Cunha Barbosa das intenções de Bonifácio, Ledo forje para Buenos Aires levando consigo só a roupa do corpo. Por estes e outros motivos, sendo ledo o verdadeiro lide da maçonaria brasileira, não houve a continuidade do Grande Oriente Brasileiro, sendo extinto definitivamente em dia 29 de outubro de 1822. Ledo ficou exilado em Buenos Aires, retornando ao Brasil em 21 de novembro de 1823.

A FUNDAÇÃO DO GRANDE ORIENTE BRASILEIRO

OU GRANDE ORIENTE DO PASSEIO

Os maçons brasileiros sob a liderança do Senador Vergueiro começam a se agrupar novamente a partir de 1829 na corte do Brasil para forjar uma nova corporação maçônica. As “Lojas “Vigilância da Pátria”, “União” e “Sete de Abril” continuaram em plena atividade. Em 1830, arquitetaram a fundação do novo grande oriente antes mesmo da abdicação de D. Pedro I. Foi incorporada ao projeto, a Loja "Razão". Os maçons sobre o comando do Senador Vergueiro começaram a se movimentar rapidamente para a oficialmente instalar a nova instituição.

Em 24 de junho de 1831, é instalado e consagrado na cidade do Rio de Janeiro, o GRANDE ORIENTE NACIONAL BRASILEIRO, conhecido também como GRANDE ORIENTE DO PASSEIO, alusão a sua sede instalada na Rua do Passeio, conforme publicado no Boletim Oficial do Grande Oriente Brasileiro, “O Vigilante” (Ano 1870, Eds. 0001 e 0002).

A partir do mês de junho do mesmo ano, graça aos esforços de valorosos franco-maçons brasileiros e o empenho e liderança do Senador Vergueiro (Nicolau Pereira de Campos Vergueiro, maçom republicano e liberal, nascido em Val da Porca, Portugal, 20 de dezembro de 1778, Rio de Janeiro - falecido em 18 de setembro de 1859, republicano), a maçonaria brasileira retoma seus trabalhos em prol da Pátria, da Ordem e da Humanidade.

Em novembro de 1831, José Bonifácio (José Bonifácio de Andrade e Silva: nasceu em Santos, São Paulo, em 13 de junho de 1763 - faleceu em Niterói, Rio de Janeiro, 6 de abril de 1838, "monarquista constitucional representativo"), ao retornar do exilio, sabendo que o Senador Vergueiro tinha fundado Grande Oriente Brasileiro, querendo deter os direitos da maçonaria para si, funda e instala em 23 de novembro de 1831, um outro corpo maçônico, denominado de "Grande Oriente do Brasil (GOB), conhecido como Grande Oriente do Vale do Lavradio" (alusão a rua de sua sede), reinstalando cópias das três lojas extintas fundadoras do antigo Grande Oriente Brasileiro, Brasílico ou Brasiliano (1822, extinto). A ideia de Bonifácio era fazer uma cópia do antigo grande oriente, e assim, atrair os maçons brasileiros. A partir desta data passou a existir duas corporações maçônicas, ou seja, o Grande Oriente do Lavradio e o Grande Oriente do Passeio.

Os primeiros dirigentes eleitos para administrar o Grande Oriente Brasileiro foram os seguintes francos-maçons: Grão-Mestre - Nicolau Pereira de Campos Vergueiro (Senador Vergueiro); Grande Primeiro Vigilante – Epifânio José Pedroso; Grande Segundo Vigilante - Antônio Pedro da Costa Ferreira; Grande Orador – Joaquim José Rodrigues Torres (Visconde de Itaboraí); Grande Secretário - Padre Belchior Pinheiro de Oliveira; Grande Secretário Adjunto – João Machado Nunes; Grande Chanceler – José Joaquim de Lima e Silva (Visconde de Majé). Os maçons que instalaram o "Grande Oriente Nacional Brazileiro" foram todos remanescentes dos quadros das lojas do Grande Oriente Brasiliano ou Brasílico que foi extinto em 27 de outubro de 1822, dentre eles, Joaquim Gonçalves Ledo e Frei Belchior.

Em 19 de agosto de 1831, o Grande Oriente Brasileiro instala a loja mãe da maçonaria paulista na cidade de Porto Feliz, simplesmente denominada de Respeitável Loja “Inteligência”. Em 24 de outubro de 1832, foi promulgada e publicada sua primeira Constituição. Essa constituição veio sofrer uma única alteração em 13 de setembro de 1834.

Poderíamos afirmar que o Grande Oriente do Passeio seria o sucessor legitimo por origem do primeiro Grande Oriente Brasileiro (fundado na Bahia em 1813 e encerrado suas atividades em 1817) e do segundo Grande Oriente Brasileiro (fundado no Rio de Janeiro em 1822, conhecido como Brasílico ou Brasiliano e encerrado suas atividades em 1822).

Em 1833 foram incorporadas ao Circulo do Passeio as lojas independentes: Comercio e Artes (original); Educação e Moral; Reunião Brasileira; Amor da Pátria; conforme noticiado no jornal Boletim Oficial do Grande Oriente Brasileiro, “O Vigilante”, (Ano 1871\Edição 00017) e no jornal "O Brasileiro" (Ano 1833, Edição 00062). A Loja Comercio e Arte denunciou o GOB no jornal O Brasileiro, como sendo perseguidor dos maçons no reino de D. Pedro I.

O Grande Oriente Brasileiro lança em 1834 os primeiros rituais oficialmente dos graus simbólicos e filosóficos do Rito Escocês Antigo e Aceito no Brasil, impresso na tipografia Seignot-Plancher, Rua do Ouvidor.

O Grande Oriente do Passeio instala e consagra seu Supremo Conselho para o Rito Escocês Antigo e Aceito em 1835 com carta patente expedida pelo Grande Oriente de França. Em novembro de 1836, foi realizada a primeira eleição para o cargo de Grão-Mestre e Oficias do Grande Oriente do Passeio, sendo o Senador Vergueiro sucedido pelo Visconde e Marquês de Sapucaí (Candido José de Araújo Vianna - 15 de setembro de 1793, Nova Lima, Minas Gerais - 23 de janeiro de 1875, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro).

Em 1844, o Supremo Conselho do Grande Oriente Brasileiro ratificou tratado de aliança e amizade com o Supremo Conselho de França, reconhecendo como o único e legal no Império do Brasil.

O Grande Oriente do Passeio tinha tratado e reconhecimento com diversas potências regulares daquela época, dentre elas: Grande Oriente Lusitano; Grande Oriente da Itália; Grande Oriente da França; Grande Oriente Unido do Brasil (antes da fusão de 1883 com o GOB-Lavradio); Gran Oriente de la Republica Oriental del Uruguay; Gran Oriente del Montevideo; dentre outros. Era a única corporação maçônica litúrgica brasileira regular, legitima e reconhecida, como única autoridade legal para o Rito Escocês Antigo e Aceito para a corte do Brasil.

A FUSÃO DO GRANDE ORIENTE BRASILEIRO E SEU SUPREMO CONSELHO COM O GRANDE ORIENTE DE LAGES E O SUPREMO CONSELHO DE MONTEZUMA

Em 04 de novembro de 1842, houve a fusão do Supremo Conselho para o Rito Escocês Antigo e Aceito de Montezuma com o Supremo Conselho para o Rito Escocês Antigo e Aceito do Grande Oriente Brasileiro, tornando-se o único corpo do Rito Escocês legal e legitimo para o Império do Brasil, conforme reprodução do tratado publicado no Boletim Oficial do Grande Oriente Brasileiro, “O Vigilante”, (Ano 1871\Eds. 00007, 00008 e 00009). O Tratado de junção foi assinado pelos dois corpos em 05 de dezembro de 1842. O grão-mestre do Grande Oriente do Brasileiro era na época o Marquês de Sapucaí, sendo sucedido pelo Senador Manoel Alves Branco (2.º Visconde de Caravelas - Maragogipe, 7 de junho de 1797 — Niterói, 13 de julho de 1855), eleito em maio de 1846.

A partir da fusão dos supremos conselhos, o Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito do Grande Oriente Brasileiro passou a cumprir fielmente o que determinava o Art. 5°, da Constituições Escocesa de 1786. Já naquela época, o Supremo Conselho do Grande Oriente Brasileiro trabalha de forma autônoma em separado dos graus simbólicos.

A CISÃO DO SUPREMO CONSELHO DE MONTEZUMA E O GRANDE ORIENTE BRASILEIRO

Em 1847 houve renúncia do tratado de 1842 celebrado entre O Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito do Grande Oriente Brasileiro e o Supremo Conselho de Montezuma e seu Grande Oriente. Após a renúncia do tratado, em 20 de março de 1847, o Conde de Lages, transfere o Grande Oriente de Lages (não confundir com o Grande Oriente Brasileiro) e Supremo Conselho de Montezuma para a tutela do Duque de Caxias. O Grande Oriente Supremo Conselho de Caxias se funde com o Grande Oriente do Lavradio e seu Supremo Conselho em 1852.

A FUNDAÇÃO DO GRAN ORIENTE DEL MONTEVIDEO

Em 21 de novembro de 1854, o Grande Oriente Brasileiro e seu Supremo Conselho instalou em Montevideo o Grande Oriente de Montevideo (Gran Oriente del Montevideo), sendo este, o marco da instituição republicana no Uruguay. A instalação da referida potência causou ciúmes e incomodo ao GOB-Lavradio, que de imediato tratou de fundar outra potência naquele país, ou seja, GOU-SC - Gran Oriente del Uruguay e seu Supremo Conselho. Gabriel Perez, Grande Inspetor Geral do Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito do Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio, obteve em 07 de outubro de 1854, uma autorização especial para instalar em solo uruguaio um novo Supremo Conselho do mesmo rito, sendo este, nomeado como Grande Comendador em 24 de junho de 1855. Também instalou outro grande oriente em 17 de julho de 1856, denominado de GOU-SC Gran Oriente del Urugay e seu Supremo Conselho.

A finalidade da instalação desse novo corpo de acordo com os ataques registrados documentos histórico da maçonaria do Brasil daquela época, era combater e destruir o Grande Oriente de Montevideo e seu Supremo Conselho, atingindo assim, a maçonaria republicana do Grande Oriente Brasileiro. O Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio, desde sua instalação, tinha como finalidade combater os republicanos de Gonçalves Ledo e do Senador Vergueiro. O Apostolado Glória do Lavradio de José Bonifácio tinha como objetivo manter a monarquia no Brasil e deter para si o poder, a gloria e a fama.

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O ADORMECIMENTO DO GRANDE ORIENTE BRASILEIRO

O Grão-Mestre Alves Branco pediu demissão do cargo do grão-mestrado, sendo substituído em 1854 pelo Visconde do Uruguai, embora só veio assumir o cargo em 1856, sendo substituído interinamente pelo Conselheiro Antônio Manoel de Campos Mello.

Ainda em 1857, Visconde do Rio Branco (José Maria da Silva Paranhos: Salvador, 16 de março de 1819Rio de Janeiro, 1 de novembro de 1880), não tendo espaço politico no Grande Oriente do Passeio se filiou no Grande Oriente do Lavradio, levando consigo algumas lojas.

Circulou que em 1857 que o Grande Oriente Brasileiro tinha se fundido com Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio, na realidade, conforme os jornais da época, tratava-se de boatos lançado pelo grupo do lavradio para desestabilizar o GOP, nunca houve acordo de fusão do Grande Oriente do Passeio com GOB-L. O GOP publicou uma nota oficial no jornal "Correio Mercantil, e Instructivo, Politico, Universal" (Ano 1857\Edição 00001 e Ano 1857\Edição 00002), desmentindo os boatos dos gobianos.

Com a cisão ocasionada por Duque de Caxias e com a saída do visconde do Rio Branco, as colunas do Grande Oriente do Passeio ficaram fragilizadas. Em 1861, o Visconde de Uruguai (Paulino José Soares de Sousa: nasceu 4 de outubro de 1807, Paris, França - 15 de julho de 1866, Rio de Janeiro, Rio de Janeiro), seguindo o mesma linha de Caxias e Rio Branco, deu-lhe um terceiro golpe, se filiando no Grande Oriente do Lavradio, levando consigo mais de 20 lojas. Neste período de crise assumiu o Grão-Mestre Adjunto, Dr. Carlos Honório de Figueiredo (Carlos Honório de Figueiredo: Recife, PE, em 1823-Rio de Janeiro, RJ, em 27 de junho de 1881), infelizmente, sem comando e liderança, perde muitas Oficinas Capitulares.

Restando poucas lojas ativas e com a perseguição acirrada do Grande Oriente do Brasil (GOB), o GOP cessa temporariamente suas atividades em 1864, ficando seu patrimônio sobre a guarda e vigília provisória do Dr. Pedro Ernesto Albuquerque de Oliveira, Sapientíssimo Delegado e Grande Inspetor Geral do Mui Poderoso Supremo Conselho do Grande Oriente Brazileiro.

Ainda em 1864, o antigo Supremo Conselho do Grande Oriente Brasileiro (que trabalha em separado dos graus simbólicos conforme os preceitos da Constituição Escocesa) que estava quase sem atividades, propôs a fusão com o Supremo Conselho do Grande Oriente do Brasil. Por resolução datada de 1º de maio do mesmo ano, o Soberano Grande Comendador Grão-Mestre, Barão de Cayru, aceitou a proposta de fusão (graus filosóficos), desta maneira, o Supremo Conselho do Rito Escocês Antigo e Aceito do Grande Oriente Brasileiro funde-se com o Supremo conselho do Grau 33 do GOB-L. Há uma confusão dos historiadores brasileiros que afirmam que o Grande Oriente do Passeio foi extinto pela fusão em 1864. A fusão foi dos supremos conselhos e não do Grande Oriente Brasileiro.

De acordo com o periódico Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro (Ano 1873, Edição 00030, em 1864), o Grande Oriente Brasileiro ou do Passeio interrompeu seus trabalhos temporariamente, sendo restaurados em 1867, pelo Dr. Albuquerque. Ao contrario do que afirmam os autores gobianos, principalmente, José Castellani, o Grande Oriente Brasileiro voltou suas atividades como potência simbólica em 1867. Neste mesmo ano, o Grande Oriente funda e instala a Loja Maçônica "Independência" na cidade de Campinas (conforme ata de fundação da própria loja). Todas as citações em obras dos escritores brasileiros são falácias sem prova documental.

Dr. Pedro Ernesto Albuquerque de Oliveira manteve com muita zelo as portas do Grande Oriente Brasileiro abertas aos maçons e a sociedade brasileira. Restaurou entre 1864-1867 oito lojas maçônicas ao seio deste grande oriente e instalou três novas oficinas, contradizendo assim, as falácias do Grande Oriente do Brasil (GOB) e seus adeptos. Além de manter o GOP em perfeito funcionamento, manteve também, em plena atividade, suas escolas de instrução pública (1833-1867), como registram os próprios veículos de comunicações da época, arquivados na Biblioteca Nacional. No ano dia 7 de setembro de 1865, O Grande Oriente do Passeio inaugurou na rua General Câmara, 170, Rio de Janeiro, uma outra escola de instrução pública primária. A escola era gratuita destinada as crianças e adolescentes indigentes da Corte do Brasil, conforme noticiado no periódico "Novo e Completo Índice Cronológico da Historia do Brasil", (Ano 1865\Edição 00001). Essa publicação prova que o Grande Oriente Brasileiro esteve em plena atividade em todo o período em que os autores gobianos afirmavam que ele estava inativo, e que, em 1864, se fundiu com GOB-Lavradio. Dr. Pedro Ernesto de Albuquerque não deixou o Grande Oriente do Passeio abater suas colunas, mesmo com poucas lojas simbólicas continuou em plena atividade. Dr. Pedro e todos os membros do GOP foram perseguidos, expulsos (mesmo não fazendo parte do GOB-Lavradio), atacados e difamados na sociedade maçônica brasileira e nos países que o GOB-L tinha estreita amizade.

Infelizmente, os autores brasileiros sem documentação ou base legal escreviam e escrevem barbarias sobre o adormecimento do Grande Oriente Brasileiro, enaltecendo sempre, o Grande Oriente do Brasil do Vale do lavradio (atual GOB). Todos afirmam que o GOP voltou suas atividades em 1883, sendo que em 1870, seu periódico maçônico intitulado "O Vigilante", Jornal Oficial do Grande Oriente Brasileiro, arquivado na Biblioteca Nacional, já circula na praça contendo todos os atos do seu Soberano Grão-Mestre e Grande Comendador da Ordem. Suas lojas espalhadas pelo Brasil estavam em pleno funcionamento.

A RESTAURAÇÃO DO GRANDE ORIENTE BRASILEIRO

As lojas mantenedoras do Grande Oriente Brasileiro foram as seguintes: Fidelidade; Brazil; Perfeita Amizade; Cruzeiro do Sul. Aderiram ao Grande Oriente Brasileiro nesse mesmo período as Lojas: Protectora das Artes; Triumpho do Brasil; União Escosseza; Virtude, Liberdade e Firmeza; Estrella da América; Segredo e Amizade. Sendo fundada instalada a Loja Maçônica Independência" na cidade de Campinas, em 23 de novembro de 1867, conforme noticiado no Boletim Oficial do Grande Oriente Brasileiro "O Vigilante" (Ano 1871\Edição 00013).

De acordo com o noticiado no Boletim Oficial do Grande Oriente Brazileiro, "O Vigilante" (Ano 1871, Ed 00024), consta que em 1864, o Grande Oriente do Brasil do Vale do Lavradio sem autorização de seus dirigentes, invadiu a sua sede e apossaram-se dos mobiliários, títulos, patentes, livros e demais materiais, além de paramentos e documentos sem nenhuma autorização de seus dirigentes. Ao retomarem os trabalhos em 1867, o prédio da Rua do Passeio estava completamente vazio, restando lá poucas coisas.

No feriado de 07 de setembro de 1870, as 20:00, na Rua Visconde de Itaúna, nº 11, foi reinstalado e consagrado o "GRANDE ORIENTE BRASILEIRO" por seu então Grão Mestre Interino, o médico, Dr. Pedro Ernesto Albuquerque de Oliveira, conforme noticiado no Boletim Oficial do Grande Oriente Brasileiro "O Vigilante" (Ano 1871\Edição 00018). Dr. Albuquerque foi sucedido no grão-mestrado em 11 de fevereiro de 1871, pelo desembargado, Dr. Manoel José de Freitas Travassos. Neste mesmo ano, o Grande Oriente do Passeio transferiu sua sede para a Rua do Visconde de Itaúna, Rio de Janeiro.

Em 14 de julho de 1872, o Grande Oriente do Passeio instalou solenemente um curso público de instrução primaria e secundaria, e também, línguas e ciências aplicada as artes, gratuitamente, sendo matriculados 294 alunos, conforme noticiado no Jornal Pedro II (Ano 1872\Edição 00149) e Almanak Administrativo, Mercantil e Industrial do Rio de Janeiro (Ano 1873, Edição) e o Jornal do Commercio (Ano 1872, Edição 00197), tendo como diretor e vice diretor, respectivamente, Dr. Fellipe Hippolyto Aché e Dr. Bartholomeu José Pereira, tendo 14 professores.

​A FUNDAÇÃO DO GRANDE ORIENTE DA REPUBLICA ORIENTAL DO URUGAY

O Grande Oriente Brasileiro contrariando os maçons conservadores uruguaios liderados por Carlos de Castro e sua família, em abril de 1882, instalou e consagrou, mais uma vez, na cidade de Montevideo, a Maçonaria Liberal Republicana, ou seja, o Grande Oriente da Republica Oriental do Uruguai (Gran Oriente de la Republica Oriental de Uruguay), ficando sobre a direção e comando do Dr. Justino Jiménez de Aréchaga Moratorio e o Tenente-Coronel Rufino P. Ravìa Gonzalez.


Sua primeira Constituição (código maçônico) foi promulgada em sessão da Grande Assembleia Constituinte, instalada em Montevideo, em 04 de maio de 1882, aprovada e impressa em 27 de maio de 1882. Essa corporação seria o sucessor legitimo do Grande Oriente de Montevideo.


Mais uma vez os aminos dos maçons gobianos e dos maçons uruguaios se alteram, ficam incomodados com os republicanos liberais deste novo corpo. O grande Oriente do Brasil e o Grande Oriente do Uruguay lançam contra o GOROU e seus fundadores um manifesto de repúdio, enviando para todas as potencias de seus relacionamentos. Não surtindo efeito, as duas potências em ação conjunta expulsam e condenam sem direito de defesa todos seus membros, conforme publicado Boletín Oficial del Gran Oriente del Uruguay e seu Supremo Consejo, (1882) e o Boletim do Grande Oriente do Brazil Jornal Ofíicial da Maçonaria Brazileira, (1883).


Para atender as necessidades dos maçons Uruguaios, no mesmo ano, o Dr. Jiménez de Aréchaga cria o Rito Eclético Uruguaio (Rito Ecléctico Uruguayo) e seu Supremo Grande Colégio do Rito Eclético (Supremo Gran Colégio del Rito Ecléctico) em substituição ao Colégio dos Ritos Azuis, com seus 13 graus.

OS GRÃO-MESTRES DO GRANDE ORIENTE BRASILEIRO

Diferentemente do Grande Oriente do Brasil Vale do Lavradio (atual GOB), todos os grão-mestres do Grande Oriente do passeio eram ante-escravocratas e republicanos. O Grande Oriente Brasileiro não permitia em suas Lojas maçons monarquistas e escravocratas. Foram grão-mestres do Grande Oriente os seguintes irmãos:

DR. NICOLAU PEREIRA DE CAMPOS VERGUEIRO

Grão-Mestre: 1831-1842

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Senador Vergueiro, advogado, maçom republicano. Nasceu dia 20 de dezembro de 1778, Val da Porca, Portugal, filho de Luiz Bernardo Pereira Vergueiro e Clara Maria Borges Campos. Bacharelou-se em direito pela Universidade de Coimbra em 1801. O jovem mudou-se para o Brasil, com 25 anos, e rapidamente ingressou nos âmbitos políticos e econômicos mais importantes da província de São Paulo. Em 2 de agosto de 1804, casou-se na Catedral da Sé com Maria Angélica de Vasconcellos, filha do Capitão José de Andrade e Vasconcellos. Exerceu a função de advogado no fórum de São Paulo, cargo que ocupou até 1815. Paralelamente, em 1807, Vergueiro adquiriu, em parceria com o sogro, uma sesmaria de duas léguas em quadra, em Piracicaba, onde fundou o Engenho do Limoeiro, cujo primeiro administrador foi seu irmão João Manuel Vergueiro. Sete anos depois, adquiriu nova sesmaria em sociedade com o sogro. Com dimensões de três léguas de testada e uma de fundo, Monjolinho se localizava nos Campos de Araraquara e foi destinada à criação de gado. Algum tempo depois, tornou-se o único proprietário das duas terras. Em 1813, foi nomeado vereador da Câmara Municipal de São Paulo. Foi juiz das sesmarias até 1816 quando se mudou para Piracicaba, adquiriu em sociedade com o brigadeiro Luís Antônio de Sousa, terras na região de Rio Claro. Em 1821, às vésperas da independência do Brasil, tornou-se membro do governo provisório da província de São Paulo. Exerceu outros cargos nas províncias de São Paulo e Minas Gerais. Participante da constituinte de 1823 como representante da província de São Paulo, como os irmãos Antônio Carlos Ribeiro de Andrada e José Bonifácio de Andrada e Silva e Martim Francisco Ribeiro de Andrada, que foi preso após a dissolução da constituinte. Era senador e, com a abdicação de dom Pedro I, integrou a Regência Trina provisória em 1831, representando o setor agro exportador durante a menoridade de dom Pedro II. Integrou o gabinete de 13 de setembro de 1832, assumindo a pasta do Império até 23 de maio de 1833, e a da Fazenda até 14 de dezembro de 1832. Ocupou a pasta da Justiça no gabinete de 22 de maio, organizado por Manuel Alves Branco, Segundo Visconde de Caravelas, e, interinamente, a do Império. Foi senador durante dez legislaturas consecutivas. Como parlamentar, sempre defendeu posições liberais e antiescravistas. Nas décadas de 40 e 50, foi pioneiro na introdução de imigrantes europeus em suas fazendas de café na cidade de Limeira (Fazenda Angélica - que recebeu este nome em homenagem a esposa de Vergueiro). A partir de 1847, o Senador Vergueiro, estimulou a vinda de famílias europeias para trabalharem em sua fazenda de café em Limeira, São Paulo. Na maçonaria foi o fundador do Grande Oriente Nacional Brasileiro conhecido como Grande Oriente do Passeio, sendo seu primeiro Grão Mestre e Grande Comendador da Ordem. O Senador Vergueiro faleceu em 18 de setembro de 1859, no Rio de Janeiro, seu corpo foi sepultado no Cemitério São João Batista no Rio de Janeiro.